12 Flores em Formato de Estrela para o Jardim Brasileiro
Flores em formato de estrela formam um dos grupos mais variados da jardinagem: o mesmo padrão de pétalas pontiagudas irradiadas aparece em cactos do deserto, trepadeiras tropicais, bulbosas de primavera e arbustos de sombra. No Brasil, o clima quente e úmido favorece boa parte dessas espécies — e algumas são nativas do Cerrado e da Mata Atlântica.
Este guia reúne 12 flores em formato de estrela adequadas ao jardim brasileiro, com nome científico, cores disponíveis, dificuldade e dicas básicas de cultivo.
Tabela comparativa das 12 espécies
| Nome popular | Nome científico | Dificuldade | Luz | Florescimento | Atrai |
|---|---|---|---|---|---|
| Estrela-do-Egito | Pentas lanceolata | Fácil | Sol pleno | Ano todo | Borboletas, beija-flores |
| Dama-da-noite | Cestrum nocturnum | Fácil | Sol/meia-sombra | Primavera-verão | Mariposas |
| Estapélia | Stapelia hirsuta | Fácil | Sol/meia-sombra | Verão-outono | Moscas |
| Plumbago | Plumbago auriculata | Fácil | Sol pleno | Primavera-verão | Borboletas |
| Glória-da-manhã | Ipomoea tricolor | Fácil | Sol pleno | Primavera-verão | Beija-flores, abelhas |
| Estrela-de-Belém | Ornithogalum umbellatum | Fácil | Sol/meia-sombra | Primavera | Abelhas |
| Jasmim-estrela | Trachelospermum jasminoides | Médio | Sol/meia-sombra | Primavera | Abelhas, mariposas |
| Estrela-da-primavera | Ipheion uniflorum | Fácil | Sol/meia-sombra | Ago–out | Abelhas |
| Estrela-do-norte | Randia formosa | Médio | Meia-sombra | Primavera-verão | Mariposas |
| Dália-estrela | Dahlia sp. | Médio | Sol pleno | Verão-outono | Borboletas, abelhas |
| Hoya / Flor-de-porcelana | Hoya carnosa | Fácil-médio | Meia-sombra | Verão | Abelhas |
| Cravina-da-índia | Dianthus chinensis | Fácil | Sol pleno | Outono-inverno | Borboletas, abelhas |
1. Estrela-do-Egito (Pentas lanceolata)
A estrela-do-Egito é a campeã do jardim tropical: floresce o ano inteiro em pleno sol, resiste ao calor intenso e atrai borboletas e beija-flores com seus cachos compactos de flores de cinco pétalas, disponíveis em rosa, vermelho, lilás, branco e salmão. A planta fica entre 30 cm e 1 m, dependendo da poda.
Cultivo: solo fértil e bem drenado, rega regular sem encharcar. Funciona em vasos a partir de 20 cm de diâmetro. Adubação com NPK 10-10-10 a cada 30 dias estimula a floração contínua.
2. Dama-da-noite (Cestrum nocturnum)
Dama-da-noite — flores tubulares terminam em estrela e liberam fragrância intensa ao anoitecer
A dama-da-noite é conhecida pela fragrância intensa e adocicada que libera ao anoitecer — perceptível a mais de 20 metros. As flores brancas ou esverdeadas têm formato tubular com estrela na abertura e atraem mariposas noturnas como polinizadores. A planta pode atingir 3 metros de altura.
Cultivo: tolera meia-sombra, mas floresce melhor com sol da manhã. Poda leve após a floração controla o porte. Atenção: todas as partes são tóxicas para pets e crianças.
3. Estapélia / Flor-estrela (Stapelia hirsuta)
A estapélia é uma suculenta sul-africana com flores surpreendentes: grandes estrelas de cinco pétalas cobertas de pelos, com padrão zebra em tons de marrom, vermelho e amarelo. A flor libera odor de carne em decomposição — adaptação que atrai moscas como polinizadores. Efeito visual garantido em qualquer jardim.
Cultivo: vaso com substrato para suculentas. Rega quinzenal no verão, mensal no inverno. Tolera sol direto e períodos de seca. Uma das mais fáceis para iniciantes em suculentas.
4. Plumbago / Bela-emília (Plumbago auriculata)
O plumbago ganhou destaque pela cor: as flores azul-celeste em formato de estrela são raras no mundo das plantas ornamentais. Cresce como arbusto ou trepadeira leve, coberto por cachos de flores da primavera ao verão. Funciona como cerca-viva, treliça ou bordadura de grande impacto visual.
Cultivo: sol pleno a meia-sombra, solo bem drenado. Altamente tolerante à seca após estabelecido. Poda após floração incentiva novo ciclo de flores. Existem variedades brancas (P. auriculata ‘Alba’) e rosa avermelhado (P. indica).
5. Glória-da-manhã / Bons-dias (Ipomoea tricolor)
A glória-da-manhã é uma trepadeira de crescimento rápido: do plantio à floração em menos de 60 dias. As flores em trompete-estrela azul-violeta, rosa ou brancas abrem pela manhã e fecham ao meio-dia. Cada flor dura apenas um dia, mas a planta produz dezenas continuamente.
Cultivo: semeadura direta após escarificação das sementes (lixa leve). Sol pleno, rega regular. Ideal para cobrir gradis e pergolados rapidamente. Trate como anual no Sul; perene no Nordeste e Centro-Oeste.
6. Estrela-de-Belém (Ornithogalum umbellatum)
A estrela-de-Belém é uma bulbosa de origem mediterrânea que floresce no início da primavera. As flores brancas com listras verdes abrindo em seis pétalas só se abrem com sol — fecham à noite e em dias nublados. Ótima para bordaduras, onde se multiplica por bulbinhos ao longo dos anos.
Cultivo: plantar bulbos a 5–8 cm de profundidade no outono (Sul) ou início da primavera (demais regiões). Solo bem drenado, sol a meia-sombra. Praticamente sem manutenção após estabelecida. Atenção: tóxica para cães e gatos.
7. Jasmim-estrela (Trachelospermum jasminoides)
O jasmim-estrela combina duas qualidades: flores brancas em estrela de cinco pétalas e fragrância suave de jasmim. Cresce como trepadeira lenhosa de crescimento moderado, ideal para pergolados e muros. É resistente a temperaturas baixas (até −5 °C), adequado para o Sul do Brasil.
Cultivo: sol a meia-sombra, solo fértil e drenado. Rega regular nos primeiros dois anos. Poda leve após a floração de primavera. Não floresce bem em ambientes muito quentes e secos — prefere climas amenos.
8. Estrela-da-primavera / Ipheion (Ipheion uniflorum)
O ipheion é uma bulbosa delicada de origem sul-americana — adaptada naturalmente ao clima brasileiro. As flores em estrela de seis pétalas vão do branco ao azul-violeta pálido, com estames amarelos no centro. Floresce de agosto a outubro, cobrindo o solo com um tapete de estrelas.
Cultivo: bulbos a 5 cm de profundidade, espaçados 8 cm. Sol a meia-sombra, solo humoso. As folhas têm odor de alho quando esmagadas. Excelente para vasos, bordaduras e jardins rochosos.
9. Estrela-do-norte / Randia (Randia formosa)
A randia é nativa do Cerrado e da Mata Atlântica — um diferencial ecológico para jardins brasileiros. As flores brancas tubulares terminam em estrela de cinco pétalas e têm fragrância intensa à noite, atraindo mariposas noturnas como polinizadores. O fruto é comestível e usado em medicina popular.
Cultivo: meia-sombra a sol, solo levemente ácido e drenado. Mudas disponíveis em viveiros de plantas nativas. Crescimento lento no primeiro ano, arbustivo e de baixa manutenção depois. Boa escolha para jardins de biodiversidade local e projetos de restauração ecológica.
10. Dália-estrela (Dahlia sp. tipo cactus)
Dália-estrela tipo cactus — pétalas pontiagudas irradiadas, disponíveis em dezenas de cores
As dálias-estrela são as cultivares com pétalas pontiagudas bem separadas — os tipos “cactus” e “semi-cactus” — que diferem das dálias bola ou pompom. As cores vão do branco ao bordô profundo, passando por laranja, amarelo e bicolor. Cultivadas como anuais no Brasil, a partir de tubérculos plantados no final do inverno.
Cultivo: sol pleno, solo rico em matéria orgânica, rega regular sem encharcar. Tutor para variedades altas (até 1,5 m). Retire flores murchas para prolongar a floração. No Sul, os tubérculos podem ser guardados no inverno para replantar no ano seguinte.
11. Hoya / Flor-de-porcelana (Hoya carnosa)
A hoya produz cachos de flores em estrela de cinco pétalas com aparência cerosa e brilhante. Cada estrela tem uma segunda mini-estrela no centro, criando efeito tridimensional único. A fragrância adocicada é mais intensa à noite. Funciona como pendente ou trepadeira em suporte.
Cultivo: meia-sombra a sombra luminosa, substrato bem drenado (mistura de terra com perlita ou orquídeas). Rega moderada — tolera solo ligeiramente seco entre regas. Não mova a planta quando em botão: ela aborta as flores. Os pedúnculos florais são reutilizados a cada ano — nunca os corte após a floração.
12. Cravina-da-índia (Dianthus chinensis)
A cravina-da-índia floresce justamente quando muitas outras plantas descansam: outono e inverno. As flores têm pétalas dentadas que criam padrão de estrela irregular, em rosa, vermelho, branco e bicolor com borda contrastante. Ideais para canteiros de estação fria e complementam jardins que ficam sem cor no inverno.
Cultivo: sol pleno, solo levemente alcalino e bem drenado. Rega moderada. Retire flores murchas para estimular novos botões. No Sudeste e Sul, trate como anual de outono-inverno; no Nordeste, pode estabelecer-se como perene em altitude.
Dicas de cultivo comuns a todas
- Drenagem primeiro: a maioria das flores-estrela morre mais por encharcamento que por seca. Vasos sempre com furo; canteiros com solo arenoso ou fibra de coco na mistura.
- Adubação equilibrada: NPK 10-10-10 favorece flores. Muito nitrogênio (como ureia pura) estimula folhagem em detrimento das flores.
- Deadheading (retirada de flores secas): aumenta a longevidade da floração em quase todas as espécies desta lista.
- Polinizadores: evite inseticidas de contato na fase de floração — eles eliminam as borboletas e abelhas que suas estrelas atraem.
Perguntas frequentes sobre flores em formato de estrela
A estrela-do-Egito (Pentas lanceolata) é a mais indicada para iniciantes: floresce o ano todo, resiste ao calor, atrai borboletas e beija-flores, e é encontrada em qualquer viveiro. Adapta-se bem a vasos e canteiros em todo o país.
Pentas, Plumbago, Glória-da-manhã e Dália-estrela atraem borboletas. Pentas e Glória-da-manhã também atraem beija-flores. Para um jardim de polinizadores, combine Pentas (flores tubulares para beija-flores) com Plumbago (flores planas para borboletas).
Sim. O Plumbago (Plumbago auriculata) tem flores azul-celeste e é uma das poucas plantas ornamentais com essa cor real. O Ipheion tem flores azul-violeta pálido. A Glória-da-manhã oferece roxo-azulado intenso.
A Randia formosa (estrela-do-norte) é nativa do Cerrado e da Mata Atlântica. O Ipheion uniflorum tem origem sul-americana. Para jardins com foco em biodiversidade local, priorize espécies nativas ou sul-americanas que suportam a fauna polinizadora regional.
Depende da espécie e da região. Bulbosas como Ornithogalum e Ipheion são plantadas no outono (Sul) ou início da primavera (demais regiões). Pentas e Plumbago podem ser plantadas o ano todo no Sudeste e Nordeste. No Sul, respeite as geadas para espécies tropicais.






